Antes de ler o análise é importante lembrar-se de que o estudo completo sobre vida e obra de Oswald de Andrade e sua importância para a literatura brasileira, estão em destaque no nosso livro.
Misto de paródia e invenção, este clássico do modernismo brasileiro, Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade, de Oswald de Andrade, publicado em 1927, além de colocar em xeque o conceito tradicional de livro de poemas, radicaliza procedimentos poéticos da vanguarda: o estilo telegráfico e a montagem. Ao publicar o Primeiro caderno do aluno de poesia do aluno Oswald de Andrade, ele buscava uma poesia como que feita por criança, uma poesia que visse o mundo com olhos novos.
O livro se apresenta como se fosse efetivamente um caderno de poesias de um jovem estudante. Arabescos, rabiscos, caricaturas são inseridas ao lado de poemas, alguns tão breves e sintéticos que nos dão a impressão de inacabados, de rascunhos ou esboços. No frontispício há a parodia dos ramos de café do brasão nacional, colocando em cada folha o nome de um estado numa divisão silábica por vezes sugerindo o improviso do desenho ou a ingenuidade do jovem poeta (Amazona - s; Cergipe) ou brincadeiras com os nomes dos estados (“Goyabada” por Goiás; Rio Parahyba; Lá no Piauhi).
Logo após, uma página com a suposta identificação de dados do autor-estudante: “Escola: pau-brasil / Classe: primária / Sexo: masculino / Professora: A Poesia”. Os determinantes “escola”, “classe”, “sexo” e “professora” como se fossem dados de uma etiqueta de caderno escolar vêm impressos em tipo de imprensa, ao passo que os dados são colocados como se fossem escritos à mão, para reforçar a impressão de um caderno de poesias. No entanto, a escola “pau-brasil” tem nova amplitude estética, é o modernismo oswaldiano tal escola, a classe “primária” alude ao sentido inaugural da busca da criação e da originalidade da estética modernista.
Raúl Antelo em prefácio à edição do "Primeiro Caderno...", comenta acerca desse “menino-experimental”, suposto narrador que recupera memórias de uma criança que de fato não existiu. Ao contrário de um narrador que adulto, recupera memórias da infância e as reinterpreta, aqui, o narrador compõe uma criança que é a transposição das idéias do adulto sob uma roupagem de infância.
A enunciação-criança monta um teatro espacial que ensaia, concomitantemente, uma tipografia gestual. Em sua mudez, a dicção ingênua se expressa pela performatividade do branco. A grafia de um aluno de poesia guarda-se, assim, em quatro gares locais que se desdobram em tempos: ‘infância’, ‘adolescência’, ‘maturidade’, ‘velhice’. A montagem desconjuntada de elementos de ‘infância’, os fragmentos de um diálogo - um discurso que não ouve - em ‘adolescência’, a aderência à convenção em ‘maturidade’, o sobressalto do corte em ‘velhice’ são co-produzidos pelo branco e pelo traço, gesto de recusa da dicção poética maior.
Ao lado dos poemas de “As Quatro Gares” pode-se colocar os poemas “Meus Sete Anos” e “Meus Oito Anos” em que a paródia a Casimiro de Abreu instaura uma série de oposições como romântico / moderno, rural / urbano, idealizado / dessacralizado, saudoso / irônico. De fato, o livro sugere-se como elemento autobiográfico desse menino experimental, sabe-se, porém, à medida que o conjunto de poemas é lido que tal criança é uma personagem do poeta adulto, que faz da ingenuidade da fala do menino o artifício para desvelar e ironizar as contradições e conflitos do cenário social que pretende circunscrever como cenário de suas lembranças. Não são lembranças de um autor-adulto oriundas de um passado de décadas, mas um menino que se presentifica no instante adulto do escritor.
A infância retratada promove a ruptura com estereótipos da poesia romântica e parnasiana brasileiras, de forma anti-lírica. A criança e a visão da infância em Oswald está cercada pelos acontecimentos de uma cidade que "progredia". Essa visão de São Paulo, misturada ao tema da infância, fica mais acentuada no poema "Brinquedo", da mesma obra, que alude ao "progresso" da cidade, assinalado pela referência aos bondes da Light, telefones, automóveis e desmitifica a infância paradisíaca dos românticos e mesmo dos parnasianos.
É possível, ainda, identificar na obra Primeiro caderno do aluno de poesia... a prática do pasticho no poema "Balada do esplanada", que é uma imitação de estilo em regime lúdico. O poeta imita no poema a arte dos menestréis, produzindo uma balada ao estilo das tradicionais, onde insere palavras que apresentam elipses sonoras, a exemplo da pronúncia portuguesa: "Antes d’ir"; "Eu qu’ria"; 'm’inspirar"; "‘splanada".
O Eu poético apresenta-se como um menestrel, designação que confirma a intenção de fazer o pasticho das baladas medievais. O termo "balada" nomeia duas formas líricas distintas: uma de origem folclórica que surgiu entre os povos de fala germânica e outra cujo apogeu deu-se no século XV na França.
Neste livro, a poética da brevidade oswaldiana encontra seu ponto máximo de expressão em poemas como velhice (“O netinho jogou os óculos/ Na latrina”), fazenda (“O mandacaru espiou a mijada da moça”), crônica (“Era uma vez/ o mundo”) e o conhecido “amor/humor”, onde a primeira palavra é o título e a segunda, o poema. A gozação paródica dos ícones da ideologia oficial e do academismo literário está presente em poemas como história pátria (“Lá vai uma barquinha carregada de/ Aventureiros”) e balada do esplanada (“Há poesia/ Na dor/ Na flor/ No beija-flor/ No elevador”). O sarcasmo brandido por Oswald, ao golpear nosso provincianismo, o emboloramento mental de nossas elites, preparava o terreno para a proposição de uma perspectiva utópica, que apontava em direção a uma nova cultura, ao mesmo tempo bárbara e moderna. A idéia (já embrionária na fase Pau-Brasil) de “comer” o que há de melhor na civilização ocidental para a elaboração de uma nova sociedade iria inaugurar outra etapa no pensamento e na criação artística de Oswald de Andrade: a Antropofagia.
Fonte parcial: Prof. Dr. Jairo Nogueira Luna - UNICSUL
Professor por vocação
Nós...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Quincas Borba - Machado de Assis - resumo
Ao vencedor as batatas”, este é o mote da história de Rubião, que se torna o exemplo vivo da filosofia do “Humanitismo”, ou da seleção natural de Darwin, aplicada à espécie humana.
O milionário filósofo louco, Quincas Borba, deixa a Rubião, amigo e enfermeiro dos seus últimos cinco meses de vida, toda a sua fortuna, com a condição de o ex-professor cuidar do cachorro, homônimo do patrão.
Na corte, o novo-rico deixa-se envolver por “amigos" e “sócios” que se esmeram assiduamente em aliviar o ingênuo Rubião do peso de sua fortuna. Freitas, Camacho, Carlos Maria e, principalmente, o casal Sofia e Cristiano Palha com quem fez amizade ainda na viagem de Barbacena para o Rio, rodeiam como parasitas o simplório milionário.
Rubião, literalmente, fica louco de paixão pela insinuante e linda mulher do sócio.
A loucura vai se manifestando gradativamente até os delírios serem freqüentes. Aí “foge” do sanatório e volta a Barbacena onde morre totalmente pobre e completamente louco, bradando “Ao vencedor as batatas”.
Quincas Borba, O cachorro, morre três dias depois.
O milionário filósofo louco, Quincas Borba, deixa a Rubião, amigo e enfermeiro dos seus últimos cinco meses de vida, toda a sua fortuna, com a condição de o ex-professor cuidar do cachorro, homônimo do patrão.
Na corte, o novo-rico deixa-se envolver por “amigos" e “sócios” que se esmeram assiduamente em aliviar o ingênuo Rubião do peso de sua fortuna. Freitas, Camacho, Carlos Maria e, principalmente, o casal Sofia e Cristiano Palha com quem fez amizade ainda na viagem de Barbacena para o Rio, rodeiam como parasitas o simplório milionário.
Rubião, literalmente, fica louco de paixão pela insinuante e linda mulher do sócio.
A loucura vai se manifestando gradativamente até os delírios serem freqüentes. Aí “foge” do sanatório e volta a Barbacena onde morre totalmente pobre e completamente louco, bradando “Ao vencedor as batatas”.
Quincas Borba, O cachorro, morre três dias depois.
OBRAS DE REFERÊNCIA - VESTIBULAR 2011 - UFES
PROGRAMA DE LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA E OBRAS LITERÁRIAS
INDICADAS PARA O PS – UFES 2010
Programa:
a) Teoria da literatura: criação estética; linguagem literária e não literária; gêneros literários.
b) Processo literário brasileiro: momentos do processo literário brasileiro em conexão com a história e a cultura brasileira; o fenômeno literário brasileiro no quadro da cultura e da literatura internacional; a expressão literária das atitudes do homem em face do mundo; tradição e modernidade dos procedimentos de expressão literária culta ou popular e do tratamento dado aos temas; classificação de textos em dada época literária em função de suas características temáticas e expressionais.
c) Romantismo no Brasil: renovação e permanência de temas e de meios de expressão da poesia romântica relativamente à do Barroco e à do Arcadismo; características temáticas e expressionais da poesia, da ficção e do teatro romântico.
d) Realismo no Brasil: a questão do Realismo na ficção do final do século XIX e início do século XX; o Naturalismo e o Impressionismo na ficção; o Parnasianismo e o Simbolismo na poesia.
e) Modernismo no Brasil: o Modernismo brasileiro no contexto da cultura do século XX; o Modernismo comparado às épocas literárias passadas; elementos de permanência, oposição e transformação; características renovadoras na ficção; principais tendências da poesia brasileira modernista; a poesia de 1945; tendências pós-45.
f) Literatura contemporânea brasileira.
g) Literatura portuguesa: características temáticas e expressionais do Trovadorismo, Humanismo, Classicismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Simbolismo e Modernismo.
Obras literárias:
I. Auto da barca do inferno – Gil Vicente
II. Quincas Borba – Machado de Assis
III. Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade – Oswald de Andrade
IV. Ficções do interlúdio – Fernando Pessoa
V. Os ratos – Dyonélio Machado
VI. O pagador de promessas – Dias Gomes
VII. Distraídos venceremos – Paulo Leminski
VIII. Transpaixão – Waldo Motta
IX. Identidade para os gatos pardos – Adilson Vilaça
INDICADAS PARA O PS – UFES 2010
Programa:
a) Teoria da literatura: criação estética; linguagem literária e não literária; gêneros literários.
b) Processo literário brasileiro: momentos do processo literário brasileiro em conexão com a história e a cultura brasileira; o fenômeno literário brasileiro no quadro da cultura e da literatura internacional; a expressão literária das atitudes do homem em face do mundo; tradição e modernidade dos procedimentos de expressão literária culta ou popular e do tratamento dado aos temas; classificação de textos em dada época literária em função de suas características temáticas e expressionais.
c) Romantismo no Brasil: renovação e permanência de temas e de meios de expressão da poesia romântica relativamente à do Barroco e à do Arcadismo; características temáticas e expressionais da poesia, da ficção e do teatro romântico.
d) Realismo no Brasil: a questão do Realismo na ficção do final do século XIX e início do século XX; o Naturalismo e o Impressionismo na ficção; o Parnasianismo e o Simbolismo na poesia.
e) Modernismo no Brasil: o Modernismo brasileiro no contexto da cultura do século XX; o Modernismo comparado às épocas literárias passadas; elementos de permanência, oposição e transformação; características renovadoras na ficção; principais tendências da poesia brasileira modernista; a poesia de 1945; tendências pós-45.
f) Literatura contemporânea brasileira.
g) Literatura portuguesa: características temáticas e expressionais do Trovadorismo, Humanismo, Classicismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Simbolismo e Modernismo.
Obras literárias:
I. Auto da barca do inferno – Gil Vicente
II. Quincas Borba – Machado de Assis
III. Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade – Oswald de Andrade
IV. Ficções do interlúdio – Fernando Pessoa
V. Os ratos – Dyonélio Machado
VI. O pagador de promessas – Dias Gomes
VII. Distraídos venceremos – Paulo Leminski
VIII. Transpaixão – Waldo Motta
IX. Identidade para os gatos pardos – Adilson Vilaça
OBRAS DE REFERÊNCIA - VESTIBULAR 2011 - UFJF
OBRAS LITERÁRIAS PARA OS PROGRAMAS DE INGRESSO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
PROGRAMA DE INGRESSO SELETIVO MISTO - PISM
Módulo I do triênio 2010 -2012
Sonetos líricos e satíricos: Gregório de Matos
a) À Cidade da Bahia
b) Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia
c) Contemplando nas cousas do mundo desde o seu retiro, lhe retira com o
seu apage, como quem a nado escapou da tormenta
d) Queixa-se o poeta da plebe ignorante e perseguidora das virtudes
e) Aos principais da Bahia chamados os Caramurus
f) A certa personagem desvanecida
g) Pondera agora com mais atenção a formosura de D.Ângela
h) Rompe o poeta com a primeira impaciência querendo declarar-se e
temendo perder por ousado
i) Pergunta-se neste problema qual é o maior, se o bem perdido na posse, ou o
que se perde antes de se lograr? Defende o bem já possuído
j) Namorado, o poeta fala com um arroio
k) A um penhasco vertendo água
l) Aos afetos, e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem
Cartas Chilenas – Banquete do Palácio – Tomás Antônio Gonzaga
Memórias de um Sargento de Milícias – Manoel Antônio de Almeida
Capitães da Areia – Jorge Amado
Módulo II do triênio 2009 -2011
1 - Camões:
a) Amor é fogo que arde sem se ver
b) O dia em que eu nasci moura e pereça
c) Eu cantarei de amor tão docemente
d) Quem diz que Amor é falso ou enganoso
e) Tanto de meu estado me acho incerto
f) Erros meus, má fortuna, amor ardente
g) Enquanto quis Fortuna que tivesse
2 – Bocage:
Lírico:
a) Chorosos versos meus desencontrados
b) Incultas produções da mocidade
c) Fiei-me nos sorrisos da ventura
d) Camões, grande Camões, quão semelhante
e) A frouxidão no amor é uma ofensa
f) Já Bocage não sou... À cova escura
g) Meu ser evaporei na lida insana
Satírico
a) Nariz, nariz e nariz
b) Magro, de olhos azuis, carão moreno
c) Lá quando em mim perder a humanidade
3. I- Juca Pirama - Gonçalves Dias
4. Navio Negreiro e Adormecida - Castro Alves
5. O Crime do Padre Amaro - Eça de Queirós
6. Contos: À procura de uma dignidade e Feliz Aniversário - Clarice Lispector
Módulo III – do triênio 2008 - 2010
• Incidente em Antares - Érico Veríssimo
• Literatura de Dois Gumes (ensaio) - Antônio Cândido
• O conto da Ilha Desconhecida - José Saramago
• Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
VESTIBULAR 2011
• Helena - Machado de Assis
• Lira dos Vinte Anos - Álvares de Azevedo
• Antologia de Crônicas - Org. Herberto Sales
• O menino do engenho - José Lins do Rego
• Antologia de Contos Brasileiros - Org. Herberto Sales
• Sentimento do mundo - Carlos Drummond de Andrade
• Civilização e Singularidades de uma rapariga loira (contos) - Eça de Queirós
• Incidente em Antares - Érico Veríssimo
• Literatura de Dois Gumes (ensaio) - Antônio Cândido
• O conto da Ilha Desconhecida - José Saramago
• Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
PROGRAMA DE INGRESSO SELETIVO MISTO - PISM
Módulo I do triênio 2010 -2012
Sonetos líricos e satíricos: Gregório de Matos
a) À Cidade da Bahia
b) Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia
c) Contemplando nas cousas do mundo desde o seu retiro, lhe retira com o
seu apage, como quem a nado escapou da tormenta
d) Queixa-se o poeta da plebe ignorante e perseguidora das virtudes
e) Aos principais da Bahia chamados os Caramurus
f) A certa personagem desvanecida
g) Pondera agora com mais atenção a formosura de D.Ângela
h) Rompe o poeta com a primeira impaciência querendo declarar-se e
temendo perder por ousado
i) Pergunta-se neste problema qual é o maior, se o bem perdido na posse, ou o
que se perde antes de se lograr? Defende o bem já possuído
j) Namorado, o poeta fala com um arroio
k) A um penhasco vertendo água
l) Aos afetos, e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem
Cartas Chilenas – Banquete do Palácio – Tomás Antônio Gonzaga
Memórias de um Sargento de Milícias – Manoel Antônio de Almeida
Capitães da Areia – Jorge Amado
Módulo II do triênio 2009 -2011
1 - Camões:
a) Amor é fogo que arde sem se ver
b) O dia em que eu nasci moura e pereça
c) Eu cantarei de amor tão docemente
d) Quem diz que Amor é falso ou enganoso
e) Tanto de meu estado me acho incerto
f) Erros meus, má fortuna, amor ardente
g) Enquanto quis Fortuna que tivesse
2 – Bocage:
Lírico:
a) Chorosos versos meus desencontrados
b) Incultas produções da mocidade
c) Fiei-me nos sorrisos da ventura
d) Camões, grande Camões, quão semelhante
e) A frouxidão no amor é uma ofensa
f) Já Bocage não sou... À cova escura
g) Meu ser evaporei na lida insana
Satírico
a) Nariz, nariz e nariz
b) Magro, de olhos azuis, carão moreno
c) Lá quando em mim perder a humanidade
3. I- Juca Pirama - Gonçalves Dias
4. Navio Negreiro e Adormecida - Castro Alves
5. O Crime do Padre Amaro - Eça de Queirós
6. Contos: À procura de uma dignidade e Feliz Aniversário - Clarice Lispector
Módulo III – do triênio 2008 - 2010
• Incidente em Antares - Érico Veríssimo
• Literatura de Dois Gumes (ensaio) - Antônio Cândido
• O conto da Ilha Desconhecida - José Saramago
• Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
VESTIBULAR 2011
• Helena - Machado de Assis
• Lira dos Vinte Anos - Álvares de Azevedo
• Antologia de Crônicas - Org. Herberto Sales
• O menino do engenho - José Lins do Rego
• Antologia de Contos Brasileiros - Org. Herberto Sales
• Sentimento do mundo - Carlos Drummond de Andrade
• Civilização e Singularidades de uma rapariga loira (contos) - Eça de Queirós
• Incidente em Antares - Érico Veríssimo
• Literatura de Dois Gumes (ensaio) - Antônio Cândido
• O conto da Ilha Desconhecida - José Saramago
• Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
TEXTO MODELO PARA RESENHA CRÍTICA: "Receita para se comer queijo" - Rubem Alves
“Receita prá se comer queijo...”
A Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo...
Sugeri, faz muitos anos, que para se entrar numa escola alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme “ A festa de Babette” e a Tita no filme “ Como água para chocolate”. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não se iniciam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...
Quando vivi nos Estados Unidos minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parenta distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis. Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso parar o caro para que vomitassem. Sem fome o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita.
Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do Latim “affetare”, quer dizer “ir trás”. O “afeto” é o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o “eros” platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.
Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde eu morava havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia. Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las. E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constroi a fim de chegar ao objeto do seu desejo.
Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas minha máquina de pensar teria permanecido parada Imagine que a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim me tivesse dado um punhado das ditas frutinhas, pitangas. Nesse caso também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho sem que eu tivesse tido necessidade de pensar. Anote isso: se o desejo for satisfeito a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.
Provocada pelo meu desejo minha máquina de pensar me fez uma primeira sugestão, criminosa. “Pule o muro à noite e roube as pitangas.” Furto, fruto, tão próximos... Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo. Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “ Construa uma maquineta de roubar pitangas”. McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas. Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu sem uma mão seria inútil: as pitangas cairiam. Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura. Feita a minha máquina apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo.
Imagine agora que eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubas pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. Anote isso: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão nunca será aceso. O banquete nunca será servido. Dizia Miguel de Unamuno: “ Saber por saber: isso é inhumano...” A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome mesmo que não haja queijo ele acabará por fazer uma maquineta de roubar queijos. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja...
A Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo...
Sugeri, faz muitos anos, que para se entrar numa escola alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme “ A festa de Babette” e a Tita no filme “ Como água para chocolate”. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não se iniciam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...
Quando vivi nos Estados Unidos minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parenta distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis. Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso parar o caro para que vomitassem. Sem fome o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita.
Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do Latim “affetare”, quer dizer “ir trás”. O “afeto” é o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o “eros” platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.
Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde eu morava havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia. Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las. E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constroi a fim de chegar ao objeto do seu desejo.
Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas minha máquina de pensar teria permanecido parada Imagine que a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim me tivesse dado um punhado das ditas frutinhas, pitangas. Nesse caso também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho sem que eu tivesse tido necessidade de pensar. Anote isso: se o desejo for satisfeito a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.
Provocada pelo meu desejo minha máquina de pensar me fez uma primeira sugestão, criminosa. “Pule o muro à noite e roube as pitangas.” Furto, fruto, tão próximos... Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo. Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “ Construa uma maquineta de roubar pitangas”. McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas. Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu sem uma mão seria inútil: as pitangas cairiam. Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura. Feita a minha máquina apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo.
Imagine agora que eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubas pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. Anote isso: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão nunca será aceso. O banquete nunca será servido. Dizia Miguel de Unamuno: “ Saber por saber: isso é inhumano...” A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome mesmo que não haja queijo ele acabará por fazer uma maquineta de roubar queijos. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja...
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
...E falando de amor e de palavras e de trabalhos de literatura...
...Sabe que essas histórias que viram filmes sempre têm por trás um autor observador e sensível o bastante, que viveu ou viu alguém viver alguma coisa terrivelmente marcante... Ou às vezes não. Eles simplesmente, escrevem sobre algo que gostariam de ter vivido. Acho que não pensam muito sobre isso. O que marca é sempre a intensidade dos sentimentos ou a capacidade que as pessoas têm de se deixar envolver pelo que os outros escrevem, por puro prazer, ou pela vontade de compartilhar o que sentem. O amor no Romantismo literário é idealizado demais pra parecer real, e infinito demais pra parecer possível; muitas vezes, é egoísta demais pra permitir que o eu-lírico ou que o personagem viva e sinta; platônico demais pra parecer amor...
Mas em todas as análises, concentre-se na relação concreta que há entre os sentimentos e as palavras. Muito do que se sente não é passível de ser descrito. Mas através das palavras, nós nos mantemos vivos para o outro. A palavra nos eterniza e nos reconfigura. Não... Ela nos imortaliza, aos olhos alheios.
Escrever sobre uma ideia que se tem, sobre uma opinião, uma réplica, um aparte. Algo que impressionou ou que chocou ou que ficou gravado na memória. Talvez o importante não seja convencer as pessoas mas fazer com que elas saibam como e o quê pensamos. Não ter intimidade com as palavras é de certa forma compreensível, mas é só uma questão de prática, afinal se não nos fizermos ouvir, vai ficar faltando o que deveria vir de nós.
No livro PS. I love you ( eu juro que vou me lembrar do nome da autora e posto depois), Gerry e Holly são apaixonados mas ele adoece e morre deixando-a sozinha e em completo desespero. (A morte romântica...Sempre ela!). Antes de morrer porém, prevendo a dificuldade de Holly em se recuperar da perda, ele lhe escreve cartas que a orientarão entremeio ao vazio da dor, de forma que, com a ação do tempo e do destino, ela possa voltar a viver e a ser feliz de novo.
O livro é docinho, como quase tudo o que é romântico, mas é sensível e inteligente ao extremo. Contemporâneo o suficiente para abrir mão dos exageros sentimentais dos românticos-padrão, e pra ver a morte como um ponto de referência, ou algo a ser superado ao invés de idealizá-la como a chave para a felicidade, até porque...
o que eles mesmos entendiam de felicidade?
Escrever cartas, atualmente tá meio fora de moda...mas eu não conheço nada mais clássico pra tocar o coração de alguém. Podem ser cartas, emails, mensagens, scraps, bilhetes, apaixonados, irritados, grosseiros, sem palavras até...porque há o que não pode ser dito...Mas sempre, as palavras. Mesmo silenciosas. Mesmo meio mudas...
E há o amor. De preferência, o que estivermos estudando...no caso aqui, o dos Românticos...
Nâo há???
Mas em todas as análises, concentre-se na relação concreta que há entre os sentimentos e as palavras. Muito do que se sente não é passível de ser descrito. Mas através das palavras, nós nos mantemos vivos para o outro. A palavra nos eterniza e nos reconfigura. Não... Ela nos imortaliza, aos olhos alheios.
Escrever sobre uma ideia que se tem, sobre uma opinião, uma réplica, um aparte. Algo que impressionou ou que chocou ou que ficou gravado na memória. Talvez o importante não seja convencer as pessoas mas fazer com que elas saibam como e o quê pensamos. Não ter intimidade com as palavras é de certa forma compreensível, mas é só uma questão de prática, afinal se não nos fizermos ouvir, vai ficar faltando o que deveria vir de nós.
No livro PS. I love you ( eu juro que vou me lembrar do nome da autora e posto depois), Gerry e Holly são apaixonados mas ele adoece e morre deixando-a sozinha e em completo desespero. (A morte romântica...Sempre ela!). Antes de morrer porém, prevendo a dificuldade de Holly em se recuperar da perda, ele lhe escreve cartas que a orientarão entremeio ao vazio da dor, de forma que, com a ação do tempo e do destino, ela possa voltar a viver e a ser feliz de novo.
O livro é docinho, como quase tudo o que é romântico, mas é sensível e inteligente ao extremo. Contemporâneo o suficiente para abrir mão dos exageros sentimentais dos românticos-padrão, e pra ver a morte como um ponto de referência, ou algo a ser superado ao invés de idealizá-la como a chave para a felicidade, até porque...
o que eles mesmos entendiam de felicidade?
Escrever cartas, atualmente tá meio fora de moda...mas eu não conheço nada mais clássico pra tocar o coração de alguém. Podem ser cartas, emails, mensagens, scraps, bilhetes, apaixonados, irritados, grosseiros, sem palavras até...porque há o que não pode ser dito...Mas sempre, as palavras. Mesmo silenciosas. Mesmo meio mudas...
E há o amor. De preferência, o que estivermos estudando...no caso aqui, o dos Românticos...
Nâo há???
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