Professor por vocação

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

"The Matrix" - Movie Review - Resenha crítica para estudo - 1ºA2 e 1ºA3 - manhã



The Matrix - Movie review



"It's impossible to tell you what "The Matrix" is. You have see it." This is what Laurence Fishburne says. Fishburne plays Morpheus in this sci-fi thriller. But he is not alone.
Keanu Reeves plays Neo, a computer hacker who discovers that the world around him is a computer simulation called Matrix. He learns this from Morpheus (Laurence Fishburne), who also tells him that the Matrix uses humans as fuel in their quest for total domination. Morpheus thinks Neo is the one who can destroy this artificial world. Neo doubts it, but in his adventures with Morpheus and the group of rebels, he starts to believe it an is ready to destroy the Matrix.
The movie is full of mind-blowing special effects. People can dodge bullets and walk on walls. The actors had to go through four months of physical training before making the movie. But if you think they didn't enjoy those months, you're wrong. All of them really appreciated the training before the movie. And they also enjoyed the training that went on during the sooting.



Critics usually don't consider Keanu Reeves a very good actor. But in "The Matrix", he gives a great performance. He looks confused in the firs part of the movie and cool in the second half. Just Perfect. Fishburne is calm and thinks clearly: the perfect leader for the rebels. The audience loves them. Carrie-Anne Moss, who plays Trinity, has no problems in this movie full of male characters.
Directed by Andy and Larry Wachowski, "The Matrix" is one of the best movies ever...

Vocabulary

bullet: bala usada em arma de fogo
character: personagem
to dodge: desviar-se
to doubt: duvidar
fuel: combustível
mind-blowing: super excitante
outstanding: excelente
quest: busca
shooting: filmagem

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

2ºA3 - Último Seminário / 2010 - Orientações e Tarefas - 22/10

1) Reformular plataformas dos blogs com os novos temas:
*"O amor e a mulher na sociedade Realista/Naturalista a partir das obras...(definir quais) - LÍDER: GIZELLE

*O negro, o imigrante e a sociedade Realista/Naturalista a partir das obras... (definir quais) - LÍDER - LEILANE

*Contrapontos Parnasiano-Simbolistas
LÍDER - ANNA CAROLINA

2)Todos deverão iniciar as pesquisas e a produção do trabalho escrito. As partes serão postadas nos blogs para correção, seguindo as orientações dadas aqui e em sala, na medida em que forem sendo produzidas. Essas orientações iniciais valem para os três grupos.
A segunda tarefa é:
-Elaborar e postar resumos indicativos dos textos:
a) da apostila distribuída em sala, sobre Realismo/Naturalismo no Brasil, na Europa e na Rússia;
b) das p. 237 a 239, do livro-didático (Do texto ao contexto realista).
.p. 259 a 269 - Realismo em Portugal
.p. 281 a 290 - Realismo no Brasil
.p. 304 a 309 - O Parnasianismo no Brasil
.p.310 a 317 - Diálogos com o Realismo e o Naturalismo
.p.356 a 361 - O Simbolismo
Não se assustem, porque essas páginas são cheias de imagens e exercícios e os resumos serão feitos, obviamente, apenas da teoria.

OBS:
FAÇAM TEXTOS ORIGINAIS, seguindo os estudos sobre estrutura dos gêneros "Resumo/Resenha"(aula da Karolina, lembram??)
Não tentem copiar da internet, porque... Bom... digamos que eu vou saber.
TODOS devem participar da elaboração dos resumos, FICANDO SOMENTE A RESPONSABILIDADE DA POSTAGEM PARA OS REDATORES. Todos têm de conhecer a teoria Realista antes de analisar os livros. Sugiro que façam isso juntos, em reunião ou mesmo no acompanhamento, mas TENTEM PRATICAR AS TÉCNICAS APRENDIDAS, tanto de escrita quanto de apresentação.

3) Os grupos que estudarão a prosa realista (Gizelle e Leilane) devem escolher as obras básicas até 01/11, impreterivelmente, e postar resumo crítico das obras, até 03/11. Se tiverem dúvidas, ver p. 362 do livro, antes de postar.

4)Para o grupo da poesia (Anna Carolina), os autores centrais do Parnasianismo brasileiro são: Olavo Bilac, Raimundo Correa e Alberto de Oliveira, a chamada Tríade Parnasiana (é importantíssimo analisar as influências européias, é claro). No Simbolismo os nomes são: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens.

Antes dos roteiros, vamos aos resumos, por favor, e em ritmo de fim de ano!
Bom trabalho!!






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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O vermelho e o Negro - Stendhal- Resumo

A obra é o retrato de uma época e de uma sociedade, que conta a história de Julien Sorel, um jovem simples, cujo pai era em rude carpinteiro.Julien se dedica ao estudo das Escrituras Sagradas e ao latim, com o auxilio de um velho Cura. Em face de seus conhecimentos, o jovem é levado para ministrar aulas aos filhos do prefeito de Vérriers, o senhor Rênal de La Monde. Lá, Julien conhece a sra. Le Monde, esposa do prefeito, e ambos apaixonam-se ardentemente.A sra La Monde é uma discreta e aristocrática esposa e mãe devotada, cansada da rotina e da indiferença do marido político, apaixona-se pelo envolvente Julien. O jovem ambicioso e com aspirações ao clero, tem como ídolo Napoleão Bonaparte, sua ascenção e seus feitos históricos. Movido pela ambição, Julien se muda para Paris, onde passa a conviver com a aristocracia e o alto clero. A hipocrisia social, a astúcia política e o poder do clero são criticados e colocados à luz da verdade na obra de Sthendal.Em Paris, Julien apaixona-se por Mathilde, filha de um Marquês do qual ele é secretário. Mas a convivência com a aristocracia e com uma sociedade moralmente decadente, lega a Julien o triste fim de ser condenado à morte, por fatos que ele presencia.Muito se polemiza sobre o paradoxo entre o vermelho e o negro, título da obra, o contrapondo traduz a sobriedade e moralidade aparente de uma sociedade moralmente em decadência, onde os instintos sobrepõe a falsa aristocracia.

Anna Karenina - Resumo (Maria Escrevinhadora)

ANNA KARENINA

Leon Tolstói

“Minha é a vingança e a recompensa” Deuteronômio 32:35


O magnífico romance do grande escritor Leon Tolstoi tem por cenário a Rússia czarista onde a mulher é inserida numa sociedade hipócrita, decadente e dominada por grandes senhores de terras.

Até conhecer o homem que mudaria radicalmente o seu modo de agir, Anna partilha com o marido de uma família aparentemente sólida, sequer desconfia que a vida não se resume apenas às obrigações impostas pelo marido que a exibe nos salões como objeto precioso.

Tudo acontece quando vai a Moscou a fim de tentar salvar o casamento de seu irmão que estava em crise. Consegue, entretanto apaixona-se por um aristocrático militar, por ele abandona o marido e o filho pequeno. Dominada pela intensa paixão esquece as obrigações e viaja com o seu amado para o exterior; o remorso, a saudade do filho devagar destroem a felicidade que ela imaginava encontrar nos braços de seu amante. Devagar a paixão vai se diluindo, Anna percebe que é impossível voltar atrás, entra em desespero, deixa o causador de sua desgraça e atira-se embaixo de um trem.

O livro prossegue com outro personagem, um jovem proprietário de terras rurais que se debate entre conflitos de classe com os lavradores e problemas existenciais, que passam a segundo plano quando ele se apaixona por uma jovem simpática e cheia de vida, que se torna a sua esposa. Apesar de haver encontrado a felicidade ao lado de sua querida Kitty, Lievin mergulha de novo nos problemas existenciais, até conhecer um velho mujique que ensina-o a procurar confiança e Fé em Deus para cuidar da saúde de sua amada esposa. Lievin descobre as respostas para os seus questionamentos, torna-se confiante e vai para os braços de Kitty que espera um filho seu.

Resumos - Os Irmãos Karamazov -

Dostoievsky – foi um escritor russo, considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.[3] É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para existencialismo já escrita."[4]

A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de ideias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações.[5] O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciadas por suas ideias.[5]

Dostoiévski logrou atingir certo sucesso com seu primeiro romance, Pobre Gente, que foi imediatamente muito elogiado pelo poeta Aleksandr Nekrassov e por um dos mais importantes críticos da primeira metade do século XIX, Vladimir Belinski. Porém, o escritor não conseguiu repetir o sucesso até o retorno à Sibéria, quando escreveu o semi-biográfico Recordações da Casa dos Mortos, sobre a prisão que sofrera. Posteriormente sua fama aumentaria, principalmente graças a Crime e Castigo.

Seu último romance, Os Irmãos Karamazov, foi considerado por Sigmund Freud como o melhor romance já escrito.[6] Segundo o biógrafo Nicholas Berdiaiev, a obra dostoievskiana vem atingindo grande popularidade no Brasil por causa de "[…][suas] características muito próximas do brasileiro", e salienta que "[a obra de Fiódor] é marcada pelo anticapitalismo, por uma reação ao capitalismo selvagem, algo que parece tocar o leitor brasileiro hoje."[7] A obra de Dostoiévski exerce uma grande influência no romance moderno, legando a ele um estilo caótico, desordenado e que apresenta uma realidade alucinada.

Resumo - Os Irmãos Karamazov
Rússia, século XIX. Um palco de intensos debates e conflitos sociais. O niilismo e o ateísmo são os principais elementos responsáveis pela degeneração familiar dos Karamazov, culminando na tragédia de um parricídio. O crime ocorrera há trinta anos. A vítima do crime, Fiódor Pávlovitch Karamazov, conhecido como "fazendeiro", apesar de mal freqüentar a propriedade. Um burguês mau, devasso, egoísta e pobre de espírito, que fora casado duas vezes e tivera três filhos: Dmítri Fiódorovich Karamazov, da primeira esposa, e Ivã Karamazov e Alieksiéi Karamazov, da segunda. Além da suspeita de um quarto filho, Smierdiákov, um criado imbecil que sofria de epilepsia, mas que não era tão imbecil, já que conhecia o esconderijo na casa, onde o velho Karamazov guardava o dinheiro.

Alieksiéi Karamazov, o filho mais jovem, deixou em dado momento o noviciado nas atividades monásticas, aconselhado por seu mestre espiritual, Zósima, para "voltar ao mundo" e, depois, decidir que caminho seguiria. Jovem, equilibrado e justo, agiu como o fiel da balança da família, apaziguando os ânimos e animando os irmãos, que viviam à beira da autodestruição. Seu irmão, Ivã Karamazov, era o mais viajado e inteligente, o niilista que exercia influência controladora sobre as pessoas, especialmente sobre o criado Smierdiákov. Irônico, corrosivo, era um debatedor de problemas sociais e religião, o autor da célebre frase: "(...) Se Deus não existe, então tudo é permitido (...)". Um imoral que tinha seus mistérios e vivia às expensas do pai, sem manter bom relacionamento com ele. Por sua vez, Dmitri Fiódorovich Karamazov, ou apenas Mítia, o meio-irmão, é instável, confuso, ora pende à bondade, ora à maldade. Perdulário, é o principal suspeito da morte do pai, justamente por disputar com ele o amor de uma mulher, além de também passar por problemas financeiros. É acusado, preso e julgado por um júri popular, que o considera culpado pelo crime de morte premeditada para roubar. Sabidamente, o culpaldo era Ivã, que tivera a idéia e instigara Smierdiákov a pô-la em prática, mas Smierdiákov estava morto e tudo conspirava contra Mítia.
Cobiça, exploração, deslealdade e mentira, são outros temas do enredo desse romance monumental, onde a intensa carga psicológica constitui não apenas o retrato de uma época conflitante, mas o retrato de várias épocas. Um romance atemporal, onde atos de maldade ecoam junto a atos de bondade.
Ao final, num discurso num velório, Alieksiéi Karamazov, o quase-monge diz: "(...) não temais a vida! Ela é tão bela quando se praticam o bem e a verdade! (...)"

Autores referenciais / Realismo/Naturalismo

Brasil: Machado de Assis
Aluísio Azevedo
Raul Pompéia
Rodolfo Teófilo; Inglês de Sousa; Júlio Ribeiro; Adolfo Caminha

Portugual

Eça de Queirós
Antero de Quental

Espanha

Juan Valera
José María de Pereda
Leopoldo Alas "Clarín"
Benito Pérez Galdós
Emília Pardo Bazán
Vicente Blasco Ibáñes

França

Honoré de Balzac
Gustave Flaubert
Emile Zola
Stendhal

Inglaterra

Charles Dickens
Thomas Hardy
Emile Bronte
Charlotte Bronte
Oscar Wilde
Joseph Conrad
Lewis Carrol
Roberth Louis Stevenson
Arthur Conan Doyle

Alemanha

Christian Friedrich Hebbel
Otto Ludwig
Jeremias Gotthel
Gottfried Keller
Conrad Ferdinand Meyer
Gustav Freytag
Theodor Strom
Wilhelm Raabe
Theodor Fontane

(Fonte: www.udoklinger.de)

Rússia

Leon Tolstoi
Dostoievski

Realismo / Naturalismo - Ler com atenção

Letras&Letras

Escolas literárias

Realismo - Naturalismo

Introdução
Em 1857, no mesmo ano em que no Brasil surgia O guarani, de José de Alencar, na França foi publicado Madame Bovary, de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance realista da literatura universal. Em 1867, Émile Zola publica Thérèse Raquin, inaugurando o romance naturalista.

Tem início, assim, uma nova vertente no campo das artes, genericamente denominada Realismo, voltada para a análise da realidade social, em nítida oposição à arte romântica, de gosto burguês. Na literatura, mais especificamente na prosa, percebem-se duas tendências: o romance realista e o romance naturalista.

Limites entre Realismo e Naturalismo

É muito comum o emprego dos termos Realismo e Naturalismo associados. Algumas vezes, são termos sinônimos; outras vezes, aparecem como duas estéticas literárias muito próximas uma da outra. No entanto, existe uma fronteira entre uma coisa e outra: é possível perceber algumas diferenças entre a prosa realista e a naturalista, apesar do grande número de pontos em comum. Alguns preferem ver o Naturalismo como uma espécie de prolongamento mais forte do Realismo. Sob esse ponto de vista, o Naturalismo seria um Realismo exacerbado. Seria uma forma mais aprofundada de encarar o homem. Os naturalistas sempre estariam vendo o lado patológico do homem, o seu envolvimento com um destino que ele não consegue modificar; as situações de desequilíbrio muito fortes; o homem que se comporta como um animal, obedecendo a instintos; o homem condicionado ao meio em que vive, subjugado pelo fator da hereditariedade física e patológica, que determina o comportamento dos personagens

O Realismo
O Realismo é um movimento literário que surgiu na Europa, na segunda metade do século XIX, influenciado pelas transformações que ali se operavam no âmbito econômico, político, social e científico.

Economicamente, vivia-se a segunda fase da Revolução Industrial, período marcado pelo clima de euforia e progresso material que a burguesia industrial experimentava em virtude das inúmeras invenções Possibilitadas pelas descobertas científicas e tecnológicas.

Apesar dos benefícios trazidos à burguesia, a condição social do proletariado era cada vez pior. Motivados tanto pelas idéias do socialismo utópico, principalmente as de Proudhon e Robert Owen, quanto pelas idéias do socialismo científico, defendidas por Karl Marx e Friedrich Engels, os operários procuram organizar-se politicamente. Fundam então associações trabalhistas e passam a agir melhores condições de trabalho e de vida.

No âmbito científico e cultural, ocorre uma verdadeira efervescência de idéias considerada por alguns como uma segunda etapa do Iluminismo, do século XVIII. Dentre essas idéias, surgidas como conseqüência do aparecimento de várias correntes científicas e filosóficas, têm destaque:

a.. positivismo, de Augusto Comte. para o qual o único conhecimento válido é o conhecimento positivo, ou seja, provindo das ciências;
a.. determinismo, de Hippolyte Taine, que defende que o comportamento humano é determinado por três fatores: o meio, a raça e o momento histórico;
a.. a lei da seleção natural, de Charles Darwin, segundo a qual a natureza ou o meio selecionam entre os seres vivos as variações que estão destinadas a sobreviver e a perpetuar-se, sendo eliminados os mais fracos.


Enquanto no domínio da Física, da Química, da Biologia e da Medicina ocorrem avanços significativos, são lançados os fundamentos de três novas disciplinas: a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia.

Os escritores, diante desse quadro de mudança de idéias e da sociedade, sentem a necessidade de criar uma literatura sintonizada com a nova realidade, capaz de abordá-la de modo mais objetivo e realista do que até então vinha fazendo o Romantismo.

As descobertas científicas, as idéias de reformas políticas e de revolução social exigiam dos escritores, por um lado, uma literatura de ação, comprometida com a crítica e a reforma da sociedade, e de outro, uma abordagem mais profunda e completa do ser humano, visto agora à luz dos conhecimentos das correntes científico-filosóficas da época.

Aparece então o Realismo, que procura, na literatura, atender às necessidades impostas pelo novo contexto histórico-cultural. Suas atitudes mais freqüentes são o combate a toda forma romântica e idealizada de ver a realidade; a crítica à sociedade burguesa e à falsidade de seus valores e instituições (Estado, Igreja, casamento, família); o embasamento no materialismo, o emprego de idéias científicas; a introspeção psicológica das personagens; as descrições objetivas e minuciosas; a lentidão na narrativa; a universalização de conceitos.

Ao lado do Realismo, surgem ainda as correntes literárias denominadas Naturalismo e Parnasianismo, de pequena penetração em Portugal. A primeira, que consiste na verdade em uma forma extremada de Realismo, procura "provar" com romances de tese as teorias científicas da época, particularmente o determinismo. O Parnasianismo por sua vez é uma corrente que combate os exageros de sentimento e de imaginação do Romantismo e tenta resgatar certos princípios clássicos de procedimento, como a busca do equilíbrio, da perfeição formal e o emprego da razão e da objetividade.

Os três movimentos tiveram ciclo na França, com a publicação do romance realista Madame Bovary (l857), de Gustave Flaubert; do romance naturalista Thérèse Raquin, de Émile Zola (l867), e das antologias parnasianas Parnasse contemporain (a partir de 1866).

O Realismo no Brasil

O Realismo no Brasil tem como marco a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, em 1881.

A passagem do Romantismo para o Realismo acompanha um período de muitas mudanças na história econômica, política e social brasileira. O Brasil da década de 80, quando se instala o novo movimento literário, não é mais o mesmo de 1850, época em que a segunda geração romântica dividia seus versos entre o amor e a morte, e as "moreninhas" circulavam pelos salões.

O Realismo vai encontrar terreno adubado para florescer, depois de o país ter passado, ao longo de quarenta anos, por fatos importantes que foram alterando aos poucos sua feição atrasada e tacanha. Como exemplo, a Guerra do Paraguai (1864-1870), o crescimento da campanha abolicionista, o enfraquecimento do governo de D. Pedro II, a intensificação das idéias republicanas, a força da economia agrária, que concentrava a renda nas mãos de fazendeiros de açúcar, primeiro, e de café, depois.

A década de 80 será muito agitada: as campanhas abolicionistas e republicanas andam juntas, em comícios, movimentos e passeatas, na maioria de estudantes e intelectuais. A escravidão e o Império caem quase ao mesmo tempo: em 1888 veio a Abolição; em 1889 Deodoro da Fonseca proclamou a República. Esses dois fatos criaram uma nova realidade, ao eliminar o trabalho servil e introduzir o princípio do voto na eleição dos governos, constituindo um índice de que se iniciava o processo de modernização da economia e política nacionais.

Paralelamente, dinamiza-se a vida social e cultural (principalmente no Rio de Janeiro), como sempre soprada por ventos europeus: liberalismo, socialismo, positivismo, cientificismo, etc. Idéias já consolidadas lá fora e importadas por nós, no mais das vezes sem a necessária adaptação. Numa sociedade agrária, escravocrata e preconceituosa, sem indústrias, sem classe operaria, elas surgiam deslocadas, fora de lugar.

A literatura realista e naturalista brasileira passa a refletir essas idéias, no interior da realidade específica do nosso país, através da pena de Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Adolfo Caminha; Olavo Bilac brilha com a poesia parnasiana; Raul Pompéia ensaia sua prosa intimista.

Mudava a literatura porque mudava o país. Aumenta o número de estradas de ferro, incrementa-se o transporte urbano, surge a iluminação elétrica e o cinema. Nas cidades, aumentam a classe comercial, o funcionalismo, os militares e os trabalhadores livres, já em grande parte imigrantes. Nas ruas ainda estreitas e sujas proliferam os salões elegantes, as confeitarias e as lojas que copiavam a moda de Paris.

O Naturalismo

Já sabemos que Realismo e Naturalismo têm, entre si, semelhanças e diferenças. Se o primeiro procura retratar o homem interagindo no seu meio social, o segundo vai mais longe: pretende mostrar o homem como produto de um conjunto de forças "naturais", instintivas, que, em determinado meio, raça e momento, pode gerar comportamentos e situações específicas.

Nas obras de alguns escritores realistas podemos distinguir certas características que definem uma tendência chamada Naturalismo.

O Naturalismo enfatiza o aspecto materialista da existência humana. Para os escritores naturalistas, influenciados pelas teorias da ciências experimentais da época, o homem era um simples produto biológico cujo comportamento resultava da pressão do ambiente social e da hereditariedade psicofisiológica. Nesse sentido, dadas certas circunstâncias, o homem teria as mesma reações, instintivas e incontroláveis. Caberia a escritor, portanto, armar em sua obra uma certa situação experimental e agir como um cientista em seu laboratório, descrevendo as reações sem nenhuma interferência de ordem pessoal ou moral.

No romance experimental naturalista, o indivíduo é mero produto da hereditariedade. Ao lado desta, o ambiente em que vive, e sobre o qual também age, determina seu comportamento pessoal. Assim, predomina o elemento fisiológico, natural, instintivo: erotismo, agressividade e violência são os componentes básicos da personalidade humana, que, privada do seu arbítrio, vive à mercê de forças incontroláveis.

Desse modo, o Naturalismo atribui a um destino inescapável, de origem fisiológica, aquilo que, na verdade, é produto do sistema econômico-social: a retificação do homem, ou seja, a sua transformação em coisa (do latim res = coisa).

Para dar vida a toda essa teoria, os autores colocam-se como narradores oniscientes, impassíveis, podendo ver tudo por todos os ângulos. As descrições são precisas e minuciosas, frias e fidelíssimas aos aspectos exteriores. As personagens são vistas de fora para dentro, como casos a estudar: não há aprofundamento psicológico; o que interessa são as ações exteriores, e não os meandros da consciência à maneira de, por exemplo, Machado de Assis.

O Romance Naturalista

O naturalismo foi cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo, Júlio Ribeiro, Adolfo Caminha, Domingos Olímpio, Inglês de Sousa e Manuel de Oliveira Paiva. O caso de Raul Pompéia é muito particular, pois em seu romance O Ateneu tanto apresenta características naturalistas como realistas, e mesmo impressionistas.

A narrativa naturalista é marcada pela vigorosa análise social a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando-se o coletivo. Interessa notar que a preocupação com o coletivo já está explicitada no próprio título dos principais romances: O Cortiço, Casa de pensão, O Ateneu. É tradicional a tese de que, em O Cortiço, o principal personagem não é João Romão, nem Bertoleza, nem Rita Baiana, mas sim o próprio cortiço.

Por outro lado, o naturalismo apresenta romances experimentais preocupados em formular regras, em conseqüência de seu caráter cientifista. A influência de Darwin se faz sentir na máxima naturalista, que enfatiza a natureza animal do homem (portanto, no embate instinto versus razão, o homem, como todo animal, é dominado num primeiro momento pelas reações instintivas particularmente no comportamento sexual, que a falsa moral burguesa não é capaz de reprimir). Os textos naturalistas acabam por tocar em tema até então proibidos, como o homossexualismo, tanto masculino, como em O Ateneu, quanto feminino, em O Cortiço.

No Brasil, a prosa naturalista foi muito influenciada por Eça de Queirós, basicamente com as obras O crime do Padre Amaro e O primo Basílio. Em 1881 surge o romance considerado o marco inicial do Naturalismo brasileiro: O mulato, de Aluísio de Azevedo.

Pertencem também ao Naturalismo brasileiro, entre outros, O missionário, de Inglês de Souza, e A carne, de Júlio Ribeiro, ambos publicados em 1888. Adolfo Caminha publicou A normalista (1893) e O bom crioulo (1896), considerados boas realizações naturalistas.

Características do Realismo-Naturalismo

Compromisso com a realidade

O Realismo-Naturalismo é contra o tradicionalismo romântico. Trata-se de uma arte engajada: ela tem compromisso com o seu momento presente e com a observação do mundo objetivo e exato.

Presença do cotidiano

Os escritores realistas-naturalistas consideram possível representar artisticamente os problemas concretos de seu tempo, sem preconceito ou convenção. E renovaram a arte ao focalizarem o cotidiano, desprezado pelas correntes estéticas anteriores. Daí que os personagens de romances realistas-naturalistas estejam muito próximos das pessoas comuns, com seus problemas do dia-a-dia, com suas vidas medianas, cujas atitudes devem ter sempre explicações lógicas ou científicas. A linguagem é outra preocupação importante: ela deve se aproximar do texto informativo, ser simples, utilizar-se de imagens denotativas, e as construções sintáticas devem obedecer à ordem direta.

Personagens tipificados

Os personagens de romances realistas-naturalistas são retirados da vida diária e são sempre representativos de uma categoria - seja a um empregado, seja um patrão; seja um proprietário, seja um subalterno; seja um senhor, seja um escravo, e daí por diante. Os personagens típicos permitem estabelecer relações críticas entre o texto e a realidade histórica em que ele se insere: isto é, embora os personagens sejam seres ficcionais, individuais, passam a representar comportamentos e a ter reações típicas de uma determinada realidade.

Preferência pelo presente

Geralmente os escritores realistas-naturalistas deram preferência ao momento presente: as narrativas estavam ambientadas num tempo contemporâneo ao do escritor. Com isso, a crítica social ficaria mais próxima e mais concreta. Nesse sentido, a literatura ganha um papel de denunciadora do que havia de mau na sociedade. Outro aspecto dessa preferência pelo momento presente é o detalhismo com que é enfocada a realidade, fato explicável pela proximidade.

Preferência pela narração

Ao contrário dos românticos, que privilegiaram a descrição, os realistas-naturalistas deram ênfase à narração do fato: o que acontece e por que acontece são as preocupações desses escritores.

Anticlericais, antimonárquicos, antiburgueses

Os realistas-naturalistas são marcadamente contra a Igreja, que apontam como defensora de ideologias ultrapassadas, como, por exemplo, a monarquia. Também criticam acirradamente a burguesia, que encarna o status romântico em geral

O Momento Histórico e as características do período Realista foram muito semelhantes em quase toda a Europa. Na França, país onde nasceu esse movimento, os principais autores foram Gustave Flaubert, Balzac e Emile Zola. Já na Inglaterra os destaques foram Willian Thackeray e George Eliot. A grande surpresa desse período ficou por conta do Realismo Russo. Isso ocorreu porque até esse momento a Russia não ocupava um lugar de destaque no cenário literário, porém, com o advento do Realismo essa situação foi totalmente invertida. Naquele período a Russia vivia uma das piores crises econômicas de toda a sua história. O atraso econômico e cultural do país e as péssimas condições de vida dos camponeses e operários serviram de estímulo para que os autores Realistas Russos, muito influenciados pelo Realismo do resto da Europa, utilizassem a literatura como forma de critica e instrumento de denúncia social. Os autores que mais se destacaram foram: Fiódor Dostoievski e Leon Tolstoi.

Referências bibliográficas

http ://www.mundocultural.com.br/literatura1/realismo/pan_europa.htm

http://www.portalliterario.cjb.net.

http://www.netliteratura.hpg.ig.com.br/index2.htm